Camarote Stark Bank – Allianz Parque

O arquiteto Lula Gouveia, do escritório Superlimão, costuma dizer que seus projetos vivem no cruzamento entre o humano e o tecnológico. Essa síntese está evidente no camarote do Stark Bank, no estádio Allianz Parque, em São Paulo, um espaço que traduz, na escala da arquitetura, o espírito da fintech: inovação, sofisticação e proximidade.

A história entre o cliente e o escritório não começou no projeto inaugurado em 2025, mas quando a fintech ainda ocupava uma pequena sala em um edifício projetado pela Superlimão, anos atrás. Desde então, a parceria cresceu e consolidou-se.

O desafio no camarote do Allianz Parque era claro: levar a identidade contemporânea de um banco que nasceu digital para um espaço físico, sem abrir mão do conforto e da informalidade.

“A gente queria usar o que havia de mais moderno, mas sem perder o lado humano”, relembra Lula. O projeto foi desenvolvido a partir de ferramentas de parametrização, corte CNC e uso intensivo de inteligência artificial, mas, paradoxalmente, o resultado é acolhedor. O ambiente é dominado por materiais brutos, como concreto aparente e metal, equilibrados pela presença generosa do verde. “É o nosso olhar para um futuro mais Avatar e menos Blade Runner”, brinca o arquiteto.

Seja para assistir a um show de três horas ou a uma partida de futebol, conforto era uma premissa do projeto. “Queríamos que o cliente, ao chegar, se sentisse em casa”, explica o arquiteto. Nesse contexto, a escolha dos móveis foi fundamental, culminando na banqueta Lily, de Aristeu Pires, que recebe esse nome pela “abertura” do assento que remete a um lírio (lily, em inglês).

“Precisávamos de algo que tivesse design, ergonomia, conforto e beleza em igual medida”, resume Lula. “No camarote, as pessoas assistem aos shows por mais de uma hora. E não é qualquer banqueta que aguenta.”

As banquetas Lily, com seu assento de linhas orgânicas e acabamento preciso, trouxeram o contraponto perfeito à materialidade bruta do ambiente. O tom da madeira dialoga com o forro paramétrico que domina o espaço, compondo um cenário de biofilia e acolhimento. Além disso, a peça passa por testes rigorosos de carga estática, fadiga, impacto e resistência, que garantem a durabilidade em ambientes de alta circulação.

A escolha reforça o DNA do Superlimão, que transita entre a indústria e o artesanato, entre o concreto e a flor. “A gente gosta de deixar claro que aquilo que parece inacabado é uma intenção. O contraste entre o rústico e o refinado é parte da linguagem”, explica.

No fim, o projeto traduz uma filosofia que é tanto estética quanto ética: o design deve emocionar, mas também funcionar. “A Lily encaixou perfeitamente nisso”, resume o arquiteto. “Ela mostra que o bom design é aquele que faz o espaço funcionar melhor e faz as pessoas quererem voltar.” E elas estão voltando.

Categoria do Projeto: Corporativo
Localização: São Paulo, SP
Projeto: Superlimão (Lula Gouveia, Thiago Rodrigues, Antonio Carlos Laraia Figueira de Mello, Leticia Domingues, Brunna Dourado, Diogo Matsui, Vitoria Mendes, Ana Galante).
Mobiliário: Banquetas Lily, de Aristeu Pires
Fotos: Maíra Acayaba