The Moore Miami

Quando o incorporador Brady Wood viu pela primeira vez a joia neoclássica, ele enxergou o futuro ícone do Miami Design District. Para reinventá-la, ele mergulharia na alma da cultura panamericana.

Localizado onde antes prosperava uma plantação de abacaxis, o The Moore, projetado na década de 1920 pelo arquiteto David P. Davis, começou sua história como um depósito e showroom de móveis, um produto da era do boom imobiliário da Flórida. Davis jamais poderia ter imaginado a transformação que aguardava o bairro: boutiques de luxo, restaurantes com estrelas Michelin e um distrito cultural fervilhando com energia criativa.

Brady Wood, fundador da WoodHouse, reuniu uma equipe que olharia além do passado célebre do edifício para enxergar seu vibrante potencial. O escritório ICRAVE, colaborador frequente, desenvolveu um plano diretor para o interior de quatro andares, que inclui o restaurante Elastika, batizado em homenagem à escultura homônima de Zaha Hadid instalada no átrio em 2005; um clube privativo para membros; um espaço de trabalho; e um hotel boutique. Brady também trouxe a renomada empresa de design de hospitalidade Studio-Collective para projetar os quartos do hotel e partes do clube.

O designer-chefe da ICRAVE, Greg Merkel, buscou preservar ao máximo a personalidade do The Moore. “Havia alguns elementos belíssimos que queríamos manter, mas a estrutura era pesada, com colunas, vigas, drywall e pisos de concreto.” “O projeto poderia seguir muitas direções”, disse Brady. “Levou tempo para focar em uma visão clara.” Mesmo assim, ele acreditava que o local tinha o potencial de se tornar “o lobby do distrito de design”, uma imagem que a WoodHouse valorizou imensamente.

A Studio-Collective acreditava que o caldeirão cultural latino de Miami poderia trazer a energia e a influência de design certas para os espaços, e Greg concordou. “Não dissemos: ‘Vamos fazer deste um projeto cubano, argentino ou brasileiro.’ Vamos criar uma experiência pan-americana que não se prenda a nenhum país específico. O que os une é uma forte tradição artesanal na arte, no design e no mobiliário, algo que é uma espécie em extinção em outros países, como os Estados Unidos”, disse o designer Christian Schulz, da Studio-Collective.

A equipe da ICRAVE descobriu os móveis de Aristeu Pires em um jantar brasileiro em Chicago, organizado pelo CEO da Sossego, que representa Aristeu Pires nos Estados Unidos. Greg Merkel, reconheceu imediatamente a sintonia entre a marca e o projeto. Após viajarem ao Brasil para ver as peças de Aristeu Pires pessoalmente, Brady e Christian concordaram que as madeiras nativas e os acabamentos personalizados do designer ofereciam perfis minimalistas que se equilibrariam bem com a estrutura pesada do edifício. “As peças ajudaram a influenciar o projeto”, disse Greg.

Leslie Kale, da Studio-Collective, concordou. “Os estilos combinavam com o que procurávamos. Tinham a aparência e a sensação de luxo, mas eram muito mais: super funcionais, elegantes, atemporais e com linhas agradáveis. Descontraídos e profundamente relaxantes, sem serem pesados ou exagerados. Poltronas fantásticas, super estofadas e muito macias.”

Para Aline Aguero, da ICRAVE, “O distrito de design de Miami vê os objetos, até mesmo os móveis, como arte, e não apenas como algo para se sentar. Aristeu Pires não faz apenas cadeiras; ele faze obras de arte.”

O resultado é mais que um marco – é um clima. Uma peça central em um distrito definido pelo design, e um farol para o que ainda está por vir.